Arquitetura do método em projetos mediados por inteligência artificial, São Paulo, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.22320/07196466.2026.44.069.06Palavras-chave:
BIM, governança algorítmica, processo de projeto, tomada de decisão, rastreabilidadeResumo
A incorporação da inteligência artificial (IA) ao projeto arquitetônico tem sido predominantemente instrumental e fragmentária na América Latina devido à ausência de referenciais metodológicos explícitos que articulem decisões projetuais, responsabilidade disciplinar e mediação tecnológica. Este artigo propõe e demonstra, qualitativamente, um referencial metodológico construtivo para integrar a IA como componente estrutural do raciocínio projetual, organizado em três níveis interdependentes: teórico, operacional e crítico-avaliativo. O núcleo do método consiste em uma matriz e um protocolo de aplicação que relacionam as fases do projeto, as tarefas cognitivas e as categorias funcionais da IA, e exigem a declaração de insumos, critérios, operações e registros de rastreio em cada interseção. A demonstração, por meio de um estudo piloto em contexto acadêmico, evidenciou melhorias consistentes na rastreabilidade do processo e na clareza procedimental, ao fortalecer a capacidade de justificar, auditar e comunicar decisões, sem implicar otimização formal automática. Os resultados indicam que a principal transformação introduzida pela IA não reside na automação de tarefas, mas na reconfiguração do poder cognitivo que organiza o espaço de possibilidades do projeto. Como contribuição original, o estudo formula uma arquitetura do método transferível que, por meio do pensamento algorítmico de projeto, rege a mediação algorítmica com base em critérios explícitos, registros verificáveis e responsabilidade projetual, deslocando a inovação da novidade técnica para a organização epistemológica do processo. Conclui-se que a integração crítica da IA na arquitetura depende de estruturas metodológicas rastreáveis, capazes de tornar visíveis os limites, os riscos e as zonas de opacidade, uma vez que constituem uma condição interna de validade disciplinar, ética e científica do projeto contemporâneo.
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