Bem-estar em abrigos pós-desastre: a percepção da comunidade indígena, Santa Catarina, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.22320/07196466.2025.43.068.10Palavras-chave:
apropriação do espaço, arquitetura pós-desastre, comunidades tradicionais, percepção ambiental, vulnerabilidade socioambientalResumo
Este estudo analisa os impactos decorrentes de desastres naturais em comunidades vulneráveis, com ênfase nos abrigos temporários como espaços de proteção física, restauração psicossocial e reconstrução identitária. O objetivo foi identificar os atributos ambientais que influenciam o bem-estar e formular recomendações de projeto baseadas na percepção ambiental. A pesquisa foi desenvolvida com a comunidade indígena Xokleng, em José Boiteux/SC, afetada por inundações recorrentes e pelos impactos negativos da Barragem Norte, por meio de uma abordagem qualitativa que incluiu entrevistas com lideranças indígenas e a técnica da fotografia como modelo. Os resultados indicam que o conforto e a segurança não se restringem à materialidade, integrando dimensões simbólicas, culturais e sociais. Destacam-se o uso da madeira como material identitário, as configurações morfológicas que simbolizam a coletividade (estrela e colmeia), a ventilação cruzada, a iluminação natural e uma organização espacial que equilibra privacidade e vida comunitária. Também foram valorizadas a convivência em grupos familiares extensos e a participação ativa no planejamento, em contraposição à adoção de soluções padronizadas. Conclui-se que os abrigos pós-desastre devem ser concebidos como espaços restauradores, culturalmente contextualizados e participativos, capazes de fortalecer a resiliência comunitária e a recuperação integral de populações indígenas vulneráveis.
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